EXEGESE BÍBLICA

13-04-2011 00:00

  EXEGESE BÍBLICA

INTRODUÇÃO

O grande mal que atinge muitos cristãos hoje em dia é o da falta de leitura e/ou compreensão da Bíblia por parte dos mesmos. A distorção e a falta de entendimento do que nos diz a Bíblia constituem um poderoso veneno espiritual que, ao contrário do que deveria, nos afasta do Evangelho a ponto de negarmos a suficiência sacrifício da cruz. Muito embora eu esteja tratando dos cristãos de hoje em dia, este não é um problema novo.

Antes de qualquer coisa, precisamos distinguir aqueles que distorcem propositalmente o teor das Escrituras em seu “benefício” próprio. Estes precisam primeiro se converter de seus maus caminhos. Do outro lado do erro, estão aqueles que são “vítimas” dos que distorcem a Bíblia: gente simplória demais, ou preguiçosa demais para tentar compreender a Sagrada Escritura.

Na Igreja ideal, um e outro há muito deixaram de existir, e todos têm, de fato, acesso a tudo aquilo que Deus nos deixou como legado e expressão de sua vontade soberana para nossas vidas.

A única maneira de se compreender de fato a mensagem bíblica é através da hermenêutica e da boa exegese.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CAPITULO I

 

1                   HERMENÊUTICA:

Hermenêutica é a ciência e arte da interpretação bíblica. Ciência, porque tem normas, ou regras, que podem ser classificadas num sistema ordenado.

2                   EXEGESE:

Exegese é a aplicação dos princípios da hermenêutica para chegar-se a um entendimento correto do texto bíblico.

Sem a aplicação da hermenêutica, qualquer pessoa pode dizer o que quiser e dizer que se baseia na Bíblia. Graças a Deus, o cristão maduro pode se valer desta ciência com relativa facilidade, não se deixando levar por qualquer vento de nova doutrina (Ef 4.14).

Mandam as boas normas da Hermenêutica que se analise o livro a ser abordado, informando, principalmente, quem escreveu o livro, qual seria seu público alvo e seu contexto histórico. Para evitar a repetição desnecessária da análise do livro toda vez que tiver que fazer a exegese de algum artigo, cada livro da Bíblia terá sua própria Introdução exegética que será devidamente citada, junto com esta introdução geral à exegese, sempre que o versículo em apreço estiver contido no Respectivo livro.

Todo pregador do evangelho deve, por obrigação, dominar as técnicas básicas da exegese, sob pena de trair o real sentido do texto sagrado a ser explanado e de ser um disseminado de heresias, portanto se você ainda não domina a arte de interpretar e compreender os textos, deve então começar agora, pelo básico.

 

 

 

 

 

 

CAPITULO II

 

1        O que é? E do que trata a Exegese?

É a disciplina que aplica métodos e técnicas que ajudam na compreensão do texto.

Do ponto de vista etimológico, hermenêutica e exegese são sinônimos, mas hoje os especialistas costumam fazer a seguinte diferença: Hermenêutica é a ciência das normas que permitem descobrir e explicar o verdadeiro sentido do texto, enquanto a exegese é a arte de aplicar essas normas.

2        Princípios Básicos:

 Aqui se encontram dez princípios que devem ser seguidos na interpretação bíblica:

o        1° - denomina-se princípio da unidade escriturística.

 Sob a inspiração divina a Bíblia ensina apenas uma teologia. Não pode haver diferença doutrinária entre um livro e outro da Bíblia.

o        2° - Deixe a Bíblia interpretar a própria Bíblia.

Este princípio vem da Reforma Protestante. O sentido mais claro e mais fácil de uma passagem explica outra com sentido mais difícil e mais obscuro. Este princípio é uma ilação do anterior.

o        3° - Jamais esquecer a Regra Áurea da Interpretação, chamada por Orígenes de Analogia da Fé.

O texto deve ser interpretado através do conjunto das Escrituras e nunca através de textos isolados.

o        4° - Sempre ter em vista o contexto.

Ler o que está antes e o que vem depois para concluir aquilo que o autor tinha em mente.

o        5° - Primeiro procura-se o sentido literal,

 A menos que as evidências demonstrem que este é figurado.

o        6° - Ler o texto em todas as traduções possíveis antigas e modernas.

Muitas vezes uma destas traduções nos traz luz sobre o que o autor queria dizer.

o        7° - Apenas um sentido deve ser procurado em cada texto.

o        8° - O trabalho de interpretação é científico,

Por isso deve ser feito com isenção de ânimo e desprendido de qualquer preconceito. (o que poderíamos chamar de "achismos").

o        9° - Fazer algumas perguntas relacionadas com a passagem para chegar a conclusões circunstanciais.

Por exemplo:

a) - Quem escreveu?

b) - Qual o tempo e o lugar em que escreveu?

c) - Por que escreveu?

d) - A quem se dirigia o escritor?

e) - O que o autor queria dizer?

o        10° - Feita a exegese, se o resultado obtido contrariar os princípios fundamentais da Bíblia, ele deve ser colocado de lado e o trabalho exegético recomeçado novamente.

 

 

 

CAPITULO III

 

As Ferramentas necessárias ao exegeta:

a)           Usar a Bíblia:

 Que contiver o texto mais fidedigno na língua original. (Os que não podem ler a Bíblia no original devem usar uma tradução fiel, tanto quanto possível).
Escolhido o texto é necessário saber exatamente o que ele diz. Para isso são necessárias suas espécies de ferramentas:

1 - Dicionários.

Em português não há nem um dicionário para o grego bíblico. Para o grego clássico o melhor que temos é: Dicionário Grego-Português e Português-Grego de Isidro Pereira, Edição do Porto, Portugal.

2 - Gramáticas.

 A melhor do hebraico é a de Gesenius. Para o Novo Testamento as melhores gramáticas são as de Blass, Moulton e Robertson. Depois de determinado o que o texto registra, é preciso ir além e investigar mais precisamente a significação teológica de certas palavras. Em português continuamos numa pobreza mais do que franciscana neste aspecto. O próximo passo é uma pesquisa conscienciosa do contexto para que não haja afirmações que se oponham ao que o autor queria dizer ou distorções daquilo que ele disse. Após esta pesquisa é necessário considerar cuidadosamente a teologia, o estilo, o propósito e o objetivo do autor. Para este mister as obras mais necessárias são: concordância, introduções e livros teológicos.  Em português temos a Concordância Bíblica, publicação da Sociedade Bíblica do Brasil, 1975. Muito úteis para o exegeta são os estudos teológicos que tratam com o livro específico do qual estamos fazendo a exegese. O próximo passo em exegese é a familiarização com o conhecimento geográfico, histórico, os hábitos e práticas podem iluminar nossa compreensão sobre o texto.

Para tal propósito são necessários Atlas, livros arqueológicos, histórias e dicionários bíblicos. Dicionários da Bíblia são muito úteis para rápidas informações sobre um assunto, identificação de nomes de pessoas, lugares ou coisas. O melhor dicionário da Bíblia é: The Interpreter´s Dictionary of the Bible, quatro volumes.

b)    Como fazer Exegese:

Na atualidade a mídia, especialmente a TV e o rádio, tem sido usada como um instrumento para espalhar a palavra de Deus, mas ao mesmo tempo tem provocado na mente de muitos cristãos a "lerdeza do pensar". Hoje existe o "evangelho solúvel", "evangelho do shopping Center", "dos iluminados", etc. Mas pouco se estuda a fonte do evangelho do Nosso Senhor Jesus Cristo. Esse trabalho tem o objetivo de estimular e incentivar ao estudo das Sagradas Escrituras, isto é muito mais do que uma leitura diárias e muitas vezes feitas às pressas para cumprir um ritual. Neste trabalho pesquisado temos a arte que nos leva a conhecermos, entendermos vivermos uma vida com abundância e que foi prometida por Jesus. Definição de exegese: guiar para fora dos pensamentos que o escritor tinha quando escreveu um dado documento, isto é, literalmente significa "tirar de dentro para fora", interpretar.

c)   Cinco Regras Concisas.

o        1. Interpretar lexicamente.

É conhecer a etimologia das palavras, o desenvolvimento histórico de seu significado e o seu uso no documento sob consideração. Esta informação pode ser conseguida com a ajuda de bons dicionários. No uso dos dicionários, deve notar-se cuidadosamente o significar-se da palavra sob consideração nos diferentes períodos da língua grega e nos diferentes autores do período.

o        2. Interpretar sintaticamente:

O interprete deve conhecer os princípios gramaticais da língua na qual o documento está escrito, para primeiro, ser interpretado como foi escrito. A função das gramáticas não é determinar as leis da língua, mas expo-las. O que significa, que primeiro a linguagem se desenvolveu como um meio de expressar os pensamentos da humanidade e depois os gramáticos escreveu para expor as leis e princípios da língua com sua função de exprimir idéias. Para quem deseja aprofundar-se é preciso estudar a sintaxe da gramática grega, dando principal relevo aos casos gregos e ao sistema verbal a fim de poder entender a estruturação da língua grega. Isto vale para o hebraico do Antigo Testamento.

o        3. Interpretar contextualmente.

 Deve ser mantida em mente a inclinação do pensamento de todo o documento. Então pode notar-se a "cor do pensamento", que cerca a passagem que está sendo estudada. A divisão em versículos e capítulos facilita a procura e a leitura, mas não deve ser utilizada como guia para delimitação do pensamento do autor.. Muito mal tem sido feita esta forma de divisão a uma honesta interpretação da Bíblia, pois dá a impressão de que cada versículo é uma entidade de pensamento separada dos versículos anteriores e posteriores.

o        4. Interpretar historicamente:

O interprete deve descobrir as circunstâncias para um determinado escrito vir à existência. É necessário conhecer as maneiras, costumes, e psicologia do povo no meio do qual o escrito é produzido. A psicologia de uma pessoa incluiu suas idéias de cronologia, seus métodos de registrar a história, seus usos de figura de linguagem e os tipos de literatura que usa para expressar seus pensamentos.

o        5. Interpretar de acordo com a analogia da Escritura.

A Bíblia é sua própria intérprete. Diz o princípio hermenêutico. A bíblia deve ser usada como recurso para entender ela mesmo. Uma interpretação bizarra que entra em choque com o ensino total da Bíblia está praticamente certa de estar no erro. Um conhecimento acurado do ponto de vista bíblico é a melhor ajuda.


d) O procedimento Exergético.

o        1. O procedimento errado.

 Ler o que muitos comentários dizem como sendo o significado da passagem e então aceitar a interpretação que mais agradece. Este procedimento é errado pelas seguintes razões:

a) encoraja o intérprete a procurar interpretação que favorece a sua pre-concepção e forma o hábito de simplesmente tentar lembrar-se das interpretações oferecidas. Isto para o iniciante, freqüentemente resulta em confusão e ressentimento mental a respeito de toda a tarefa da exegese. Isto não é exegese, é outra forma de decoreba e é muito desinteressante. O péssimo resultado e mais sério do "procedimento errado" na exegese é que próprio interprete não pensa por si mesmo.


b)Procedimento Correto.

1. O interprete deve perguntar primeiro o que o autor diz e depois o que significa a declaração.

2. Consultar os dicionários para encontrar o significado das palavras desconhecidas ou que não são familiares. É preciso tomar muito cuidado para não escolher o significado que convêm ao interprete apenas.

3. Depois de usar bons dicionários, uma ou mais gramáticas devem ser consultadas para entender a construção gramatical. No verbo, a voz, o modo e o tempo devem ser observados por causa da contribuição à idéia total. O mesmo cuidado deve ser tomado com as outras classes gramaticais.

4. Tendo as análises léxicas, morfológica e sintática sido feitas, é preciso partir para análises de contexto e história a fim de que se tenha uma boa compreensão do texto e de seu significado primeiro e,

5. Com os passos anteriores bem dados, o interprete tem condições de extrair a teologia do texto, bem como sua aplicação às necessidade pessoais dele, em primeiro lugar, e às dos ouvintes. Que o texto tem com a minha vida? Com os grandes desafios atuais?

f) O uso de Instrumentos

1.      Comentários: eles não são um fim em si mesmo. O interprete deve manter em mente o clima teológico em que foram produzidos, porque isso afeta de maneira direta a interpretação das Escrituras. Um comentarista pode ser capaz, em certa media, de evitar " bias" (tendências) e permitir que o documento fale por si mesmo, mas sua ênfase nos vários pensamentos na passagem será afetada pela corrente de pensamento de seus dias. Os comentários principalmente os devocionais, tem a marca da desatualização. Prefira os comentários críticos e exegéticos.

2.       Uso de dicionário e gramáticas: e importante manter em mente a data da publicação. Todas as traduções de uma palavra devem ser avaliadas e não apenas tirar só o significado que interessa a nossa interpretação. Explore o recurso dos próprios sinônimos. Por exemplo, a palavra pobre é tradução de duas palavras gregas. [penef e ptohoi- transliterado por Jotaeme] A primeira significa carente do supérfluo, que vive modestamente, com o necessário e a segunda, significa mendigo, desprovido de qualquer sustento. Na interpretação de Mateus 5:3 isto faz muita diferença!

 

 

CAPITULO IV

 

1– TEXTO MASSORÉTICOS

 

a)      O que são textos Massoréticos? é o texto hebraico da Bíblia, utilizado com a versão universal da Tanakh para o judaísmo moderno, e também como fonte de tradução para o Antigo Testamento da Bíblia cristã, inicialmente pelos protestantes e, modernamente, também por tradutores católicos.

b)      Origem do Nome:

·                    Em torno do século VI, um grupo de competentes escribas judeus teve por missão reunir os textos considerados inspirados por Deus, utilizados pela comunidade Hebraica, em um único escrito. Este grupo recebeu o nome de "Escola de Massorá". Os "massoretas" escreveram a Bíblia de Massorá, examinando e comparando todos os manuscritos bíblicos conhecidos à época. O resultado deste trabalho ficou conhecido posteriormente como o "Texto Massorético".

·                    O termo "massorá" provém na língua hebraica de mesorah (מסורה, alt. מסורת) e indica "tradição". Portanto, massoreta era alguém que tinha por missão a guarda e preservação da tradição.

c)      O Texto

Escrito em hebraico antigo, com letra quadrada, os massoretas levantaram a pronúncia tradicional do texto de consoantes ( o hebraico não tinha vogais), graças a um sistema de pontuação inventado para atender a acentuação vocálica. Com isso, eles padronizaram uma pronúncia das palavras do texto, tornando-o igual para qualquer pessoa que o lesse após a época em que iniciou-se a compilação. Nessa época o hebraico já não era um idioma popular e havia, principalmente por parte da comunidade hebraica muita dificuldade em pronunciá-lo corretamente, conforme a pronúncia original.

A metodologia utilizada era bastante rigorosa: ao final de cada cópia pronta, todas as letras eram contadas, e uma letra era estabelecida como letra central de referência. Assim, as letras do início da cópia até a letra central teriam de estar perfeitamente iguais às do documento original. Também eram contadas todas as letras desde a letra final até a letra central. Em caso de discordância, todo o trabalho era destruído e uma nova compilação realizada. Por criarem uma base para a interpretação do texto hebraico, aperfeiçoando os símbolos da escrita, já que até então não havia um sistema definido de regras gramaticais por escrito, os massoretas são considerados os pais da gramática da língua hebraica atual.

d)     A Composição

O Texto Massorético é composto de 24 livros:

e)      Primeira Impressão

A partir da invenção da Imprensa, no século XV, o Texto Massorético foi impresso por Daniel Bomberg, um abastado cristão veneziano originário da Antuérpia, em 1524 e utilizado posteriormente por Lutero em sua tradução para a língua alemã do Velho Testamento.

2 - TEXTOS PROTOMASSORÉTICOS

Foram os que deram origem ao Pentateuco Samaritano e à Septuaginta, os quais discordam em vários detalhes relativos ao texto, à ortografia e à morfologia em relação ao texto de tipo massorético. Determinados eruditos argumentam que esses outros tipos textuais eram textos vulgarizados, transmitidos sem muitos critérios e sem obedecer a regras estabelecidas e, por isso, possuíam alterações como se constata no Pentateuco Samaritano e em determinados manuscritos de Ḥirbet Qumran. Todavia, apesar disso, todos eram de uso comum entre os judeus e nenhum deles tinha mais autoridade do que o outro no período pré-cristão. Existem provas de que o Texto Protomassorético já existia desde antes do século III a.C., como comprovam vários manuscritos encontrados em Ḥirbet Qumran, em Wadi Murabba‘at, em Naḥal Ḥever e em Massada. Pelas últimas estimativas, cerca de 35% dos manuscritos bíblicos hebraicos encontrados no sítio arqueológico de Ḥirbet Qumran estão de acordo com essa recensão do texto bíblico.

Possivelmente, os rabinos da época dos primórdios do cristianismo resolveram selecionar e oficializar um dos tipos textuais hebraicos que julgavam como o melhor e o mais consistente dentre os vários que eles conheciam. Depois de aceito, o texto hebraico de tipo massorético passou a ser copiado com exatidão e com reverência pelos escribas judeus e, além disso, sem alterações, adições, omissões ou modificações significativas. Conseqüentemente, sua forma textual permaneceu, praticamente, inalterada desde o período do Segundo Templo. Com o passar do tempo, as diferenças internas do Texto Protomassorético diminuíram em vez de aumentarem e isso foi devido ao trabalho meticuloso, primeiro dos escribas e, mais tarde, principalmente dos massoretas, que foram os principais responsáveis pela uniformização do Texto Massorético e pelo decréscimo das variantes em seu texto.

 

Elementos Paratextuais ou Ortografias Irregulares:

Preservou e transmitiu vários elementos incomuns neste mesmo texto no período anterior ao dos massoretas. Tais peculiaridades são conhecidas como “elementos paratextuais” ou “ortografias irregulares”, que são parte integrante do texto bíblico hebraico desde muitos séculos. Todos os manuscritos hebraicos medievais como todas as edições impressas da Bíblia Hebraica os contêm. Não foram particularidades textuais inventadas pelos massoretas, que possivelmente, não as compreendiam plenamente e também não conheciam a sua real função, mas as mantiveram. Existem 15 passagens no Texto Protomassorético em que pontos especiais aparecem acima de algumas letras em determinadas palavras no texto bíblico (no Salmo 27.13, os pontos aparecem acima e embaixo de um vocábulo). Porém, tais pontos não podem ser confundidos com sinais de vocalização ou mesmo de acentuação. Esse fenômeno textual é conhecido pela denominação latina puncta extraordinaria (pontos extraordinários) e em hebraico como tOwGduqÕn (nǝquddôṯ , pontos) ou como tOwdGoq…n¸m tOwyitOw' (’ôṯîôṯ mǝnuqqāḏôṯ , letras pontuadas). Os puncta extraordinaria constam em 10 passagens do Pentateuco, quatro dos Profetas e uma dos Escritos. Tanto os rolos da Torá usados na sinagoga quanto os manuscritos massoréticos e edições impressas da Bíblia Hebraica apresentam todos os pontos em seus lugares tradicionais.

Os estudiosos não estão de acordo sobre o motivo da existência desses pontos e sua real função dentro do texto bíblico hebraico. Alguns eruditos acreditam que, provavelmente, conservam tradições textuais divergentes ou determinados aspectos doutrinários. Muito comum na Antigüidade. Existem três possibilidades sobre o significado de tais pontos no texto bíblico hebraico:

  1. Indicam que as letras pontuadas teriam de ser corrigidas.
  2. A tradição textual é duvidosa.
  3. As palavras ou letras pontuadas possuem algum comentário rabínico.

As 15 ocorrências são relacionadas abaixo:

  1. ßÆyΔnyEb˚ (hebr. ûḇêneyḵā , e entre ti), cf. Gn 16.5.
  2. ÆwÆyAÄlEÄ' (hebr.’ēlāyw, a ele), cf. 18.9.
  3. GhAmÆ˚q¸b˚ (hebr. ûḇəqûmāh , e no levantar dela), cf. Gn 19.33.
  4. FÆwÄh‘ÄqAKÄHÆ«Cy¬Æw (hebr. waîîššāqēhû , e o beijou), cf. Gn 33.4.
  5. -ÄtÄe' (hebr.’eṯ- ) (partícula de objeto direto), cf. Gn 37.12.
  6. ƧOÄr·ÄhaÄ'ÃÆw (hebr. wə’ahărōn , e Aarão), cf. Nm 3.39.
  7. Äh“qOxËr (hebr. rəḥōqâ , distante), cf. Nm 9.10.
  8. ÄreH·' (hebr.’ăšer , que), cf. Nm 21.30.
  9. §ÆÙrAKWivÃw (hebr. wə‘iśśārôn , e uma décima parte), cf. Nm 29.15.
  10. ÆFÆwÆnÆy≈ÆnAÄb¸ÄlÆ˚ FÆwÆnAÄl (hebr. lānû ûləḇānênû , a nós e aos nossos filhos), cf. Dt 29.28.
  11. Ä'AÄcÆ√y (hebr. yāṣā’ , saiu), cf. 2Sm 19.20.
  12. ÄhoGÄmEÄh (hebr. hēmmâ, eles), cf. Is 44.9.
  13. ÄlAÄkÆyEÄhaÄh (hebr. hahêḵāl , o santuário), cf. Ez 41.20.
  14. ÄtÆÙÄvAÄcŸÄquÄh¸Äm (hebr. məhuqṣā‘ôṯ , ângulos), cf. Ez 46.22.
  15. Ä≥'≥Ä„lFwÄ≥l (hebr. lûlē’ , se não fosse), cf. Sl 27.13.

Algumas passagens do Texto Protomassorético apresentam um sinal incomum conhecido pela denominação latina como nun inversum (a letra nun [n] invertida: N). Este fenômeno textual ocorre, ao todo, nove vezes no texto bíblico hebraico: em Números 10.34 e 36 (duas vezes) e no Salmo 107.21-26 e 40 (sete vezes). Esse sinal possui o nome de tÂrΔzFwn¸m §Fwn (hebr. nûn mənûzereṯ , nun isolado). Em relação à passagem de Números 10.34 e 36 os manuscritos e edições concordam entre si na colocação do sinal N. Entretanto, no caso do Salmo 107, há divergências entre as fontes. Há manuscritos e edições que assinalam o sinal N nos versículos 23 a 28 e 39 ou 40 do Salmo 107. Contudo, a Biblia Hebraica (BHK), a Biblia Hebraica Stuttgartensia (BHS) e a Biblia Hebraica Leningradensia (BHL), que reproduzem o Códice de Leningrado B19a (L), anotam o mesmo sinal nos versículos 21 a 26 e 40. Entre os especialistas em Bíblia Hebraica não há consenso em relação ao real significado e a exata função do nun invertido, mas a opinião geral é que os trechos assinalados por esse caractere especial seriam textos deslocados, isto é, estariam fora de seu lugar de origem. Por algum motivo desconhecido, a tradição textual judaica teria deslocado esses trechos para outros lugares do texto bíblico hebraico e, mais tarde, os escribas e os massoretas teriam indicado esse fenômeno por meio do sinal N.

 

3- OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO

Foram encontrados casualmente em uma gruta, nas encostas rochosas da região do Mar Morto, na região de Jericó, em março de 1947, por um pastor beduíno que buscava uma cabra perdida de seu rebanho. São jarros contendo manuscritos de inúmeros documentos dos Escritos Sagrados de uma seita judaica que existiu na época de Jesus, os Essênios. Várias outras grutas foram encontradas após este achado, com muitos outros documentos.

Os Manuscritos ou Documentos do Mar Morto tiveram grande impacto na visão da Bíblia, pois fornecem espantosa confirmação da fidelidade dos textos massoréticos aos originais. O estudo da cerâmica dos jarros e a datação por carbono 14 estabelecem que os documentos fossem produzidos entre 168 a.C. e 233 d.C. Destacam-se, nestes documentos, textos do profeta Isaías, fragmentos de um texto do profeta Samuel, textos de profetas menores, parte do livro de Levítico e um targum (paráfrase) de Jó.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CONCLUSÃO

 

A título de conclusão queremos dizer, que o que temos exposto até aqui, constitui apenas a base, ou fundamento rudimentar da exegese. O trabalho exegético em si é complexo e requer muita dedicação e boa vontade por parte daquele que deseja encetar uma feitura exegética. Em linhas gerais, o acima exposto, inclusive os exemplos em apêndice, tem por fim, orientar o estudioso a que procure praticar a leitura científica do texto bíblico com o fito de conhecê-lo de forma mais abrangente, buscando dirimir as suas limitações enquanto estudante das Sagradas Letras. Em seqüência a esse estudo, dever-se-á desenvolver um trabalho prático de exegese, com análise de textos originais, comentário exegético, trabalho de pesquisa e fichamento do material coletado. Procurando, ao longo do desenvolvimento exegético, o aprendiz, colocar em prática as técnicas apreendidas, na medida das suas potencialidades, pois, cada estudioso, obviamente lida com as suas limitações. É importante, contudo, em se tratando do estudo da Escritura, que o estudioso tenha a consciência de haver, mesmo, honestamente, esgotado todos os seus limites; por isso mesmo, a feitura exegética, verificar-se-á,

“exaustiva” e laboriosa, porém, extremamente gratificante”(Rafael S. Ribeiro –Pág.78)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

http://www.gotquestions.or

http://www.descobrindo.com.br

http://pt.scribd.com/Exegese/d/48838107

http://www.palavraqueliberta.com.br

PISANO, Stephen. (2000) “O Texto do Antigo Testamento”. In: SIMIAN-YOFRE, H. (coord.)

et alii. (2000) Metodologia do Antigo Testamento. Coleção Bíblica Loyola 28. São

Paulo: Loyola, p. 39-49.

FRANCISCO, Edson de F. (2005) Manual da Bíblia Hebraica: Introdução ao Texto Massorético – Guia Introdutório para a Biblia Hebraica Stuttgartensia. 2. ed. São Paulo: Vida Nova, p.

209-259.

Pb. Josenilson Faustino da Silva -

EETAD/ESTEADEB  -ESP. SEGURA E SAÚDE NO TRABALHO E ANALISTA DE SISTEMA